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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Texto: MANDELA: PRIMEIRO E ÚNICO POST SOBRE O ASSUNTO

MANDELA: PRIMEIRO E ÚNICO POST SOBRE O ASSUNTO

Olha! Tudo bem né? O homem é um ícone da luta pró igualdade racial e social, mas não exageramos nas doses e nos comentários... Vamos entender a ordem natural das coisas... Todo mundo nasce, alguns crescem, envelhecem e morrem, então sem exageros, o homem já estava fazendo hora extra. E o mundo não perdeu nada, pelo contrário ganhou muito. O legado dele está aí e vai marcar para sempre o mundo... E agora seria um bom momento para deixarmos de hipocrisia e fazermos mesmo a diferença, refletindo e garantindo que as conquistas se mantenham e que as expectativas se concretizem... Sem essa de ficar ai falando que é o fim e coisa e tal. Vamos fazer valer a pena o que ele ajudou a construir. É isso, meio grosso, mas realista. E que viva Mandela em nossos dias e em nossos corações para que deixamos que ser racistas e hipócritas... Brasil, um racismo velado, culpado e hipócrita. Abraço a todos.

(Lucimar Simon)

domingo, 9 de junho de 2013

Texto: A ESCOLA DE FRANKFURT

A ESCOLA DE FRANKFURT

Texto discutido na disciplina "A história das ideias - Ufes 2009"

FREITAG, Bárbara. A Teoria Critica: ontem e hoje. 3. ed. – São Paulo: Brasiliense, 1990.

Seu discurso permeia alguns tópicos centrais da teoria critica de Horkheimer, Adorno, Marcuse, Benjamin, Habermas. Estando divididas em três partes principais, a primeira é “descritiva histórica” e outras duas mais teóricas voltadas para os conteúdos.

A segunda preocupa-se com os conteúdos daí esta centrada nessas temáticas.
1- A dialética da razão iluminista e a critica da ciência;
2- A dupla face da cultura e a discussão da indústria cultural;
3- A questão do Estado e suas formas de legitimação;

A terceira parte procura situar a teoria critica do debate teórico contemporâneo onde serão focalizadas as formas de apropriação, rejeição e critica que a teoria da escola de Frankfurt esta tendo hoje na Europa, nos Eua e no Brasil.

“A tentativa é fazer uma avaliação da atuação e a importância dos pensamentos críticos dos Frank-furtiano para a reflexão teórica mais recente no campo das ciências humanas”.

O histórico da Escola de Frankfurt

“Escola de Frankfurt refere-se simultaneamente a um grupo de intelectuais e uma teoria social. Com o termo Escola de Frankfurt procura-se designar a institucionalização dos trabalhos de um grupo de intelectuais marxistas, não ortodoxos, que na década dos anos 20 permaneceram as margens de um marxismo-leninismo clássico, seja em sua versão teórico ideológica, seja em sua linha militante e partidária”.
Oficialmente criado em 3 de fevereiro de 1923. O primeiro diretor do instituto foi Carl Gruenberg, historiador e marxólogo de Viena que de fato só permaneceu no cargo de forma ativa até 1927 e simbolicamente até 1930, momento em que foi substituído por Max Horkheimer, jovem filosofo formado em Frankfurt, que assumiu a cátedra de filosofia social. Com a liderança de Horkheimer, o Instituto passou a assumir as feições de um verdadeiro centro de pesquisa, preocupado com uma analise crítica dos problemas do capitalismo moderno que privilegiava claramente a superestrutura.

O primeiro número da Revista de Pesquisa Social que era o principal meio de produção e divulgação dos autores filiados ao instituto foi lançado em 1932 e seu ultimo em 1941, completando nove anos de editoração. E ao lado da direção Horkheimer também era editor o que garantia a publicação todo o período de sua existência no instituto de Frankfurt e na emigração.

Preocupado com o anti-semitismo crescente na Alemanha e o progresso implacável do movimento nazista encabeçado por Hitler, Horkheimer teve a previsão de criar, de 1931, filiais do instituto em Genebra, Londres e Paris, transferindo a redação da Revista de Leipzig para Paris, onde permaneceria até a invasão alemã, depois que seus principais redatores já haviam emigrados a muitos para o Estados Unidos. Em 1933 o governo nazista decreta o fechamento do instituto em Frankfurt por suas “atividades hostis ao Estado”, confiscando seu prédio juntamente com os seus 60.000 volumes de livros que então constituem seu acervo bibliotecário.

A busca de uma integração da teoria marxista com o freudismo constitui a preocupação central deste estudo, em que o Horkheimer e Fromm lançam os fundamentos teóricos para a retomada da discussão iniciada pelo grupo Sex-pol e especialmente elaborada por Bernfeld, Fenichel e Reich nos anos 20. Horkheimer imaginava reorientar a reflexão filosófica da época, partindo de um patamar abstrato para um nível mais concreto que não se confundisse, no entanto, com puro ativismo da luta partidária. O interesse documentado de como a classe operaria enfrentavam ás crises especifica do capitalismo do século XX. O período de criação e consolidação do instituto de Frankfurt trás a marca inequívoca da filosofia social de Max Horkheimer, inspirado num Freud –marxismo de Reich e Fromm.   

O período da emigração para os Estados Unidos (1933-1950)

Em 1933 Horkheimer assegura a transferência do Instituto de Frankfurt para Genebra, onde ele passa a funcionar com nome de Société Internationale de Recherches Sociales. Em 1934 Horkheimer negocia a transferência do Instituto para Nova York. Ela se tornará possível graças ao apoio dado por Nicolas Murray, diretor da Universidade de Columbia em Nova York. Nesse período de emigração o Instituto concede mais de 50 bolsas de estudo e de pesquisas a intelectuais e judeus perseguidos pelo nazismo na Europa. Em 1940 Horkheimer e Adorno se transferem para a Califórnia onde se encontram com Thomas Mann, Bertholt Brecht e outros intelectuais alemães e judeus refugiados.

Em 1946 Horkheimer recebe o convite da municipalidade de Frankfurt para retornar a essa cidade com os membros do Instituto que quisessem acompanhá-lo. Em 1948 Horkheimer decide viajar para a Alemanha liberado do nazismo, mas derrotada e destruída a fim de negociar as condições de sua volto, sendo surpreendido por uma recepção calorosa que o leva a concordar com a transferência, que seria efetivada em 1950.

A produção do instituto dessa época da emigração para os Estados unidos se reflete, por um lado, por uma serie de artigos fundamentais publicados na revista, e que deram origem da criação “teoria critica” e, por outro, em duas obras que se transformariam em um marco para pesquisas sociológicas. Onde alemães e americanos juntos emplacaram as obras: The Authoritariam Personality (1950) e A Dialética do Esclarecimento (1947).

Os trabalhos da fase de emigração estão sob o impacto provocado sobre os intelectuais europeus pela cultura americana, expressão máxima do capitalismo moderno e da democracia de massa. Horkheimer procura salvar a reflexão filosófica dialética em face de uma crescente tendência positivista e empirista nas ciências sociais. Com seu ensaio “teoria critica e teoria tradicional” lança as bases e o fundamento da teoria critica da Escola de Frankfurt.

Em a The Authoritariam Personality (1950) os filósofos, psicólogos, psicanalistas e pesquisadores empíricos procuram refletir sobre a interação entre a dinâmica psíquica do individuo e as condições sociais e políticas da sociedade em que vivem estes indivíduos. Já na A Dialética do Esclarecimento (1947). Escrita na Califórnia reflete a atitude critica a qual Adorno e Horkheimer encaram a evolução da cultura nas modernas sociedades de massas da qual o Estados unidos seria a versão capitalista mais avançada. Ela representa a ruptura com a convicção mais profunda, a onipotência do sistema capitalista, retificado no mito da modernidade. Ela tem por temática em ultima instancia a morte da razão kantiana, asfixiada pelas relações de produção capitalista.

A reconstrução do Institut fuer Sozialforschung em Frankfurt (1950-1970)

O Instituto passa a funcionar novamente em sua velha sede na Senckenberganlage em Frankfurt ao lado dos prédios da Universidade a partir de 1950 Horkheimer e Adorno, são nomeados professores catedráticos do departamento de filosofia da Universidade Johann Wolgang Goethe, ministrando regularmente os seus cursos ate 1969, trabalhando simultaneamente em pesquisas. A biblioteca do Instituto havia sido renovada e os arquivos renovados depois dos desfalques sofridos durante o nazismo. Mas tarde o Instituto será alvo de protestos dos próprios estudantes devido a autoritariedade das regras internas. As medidas são tomadas e os ânimos se acalmam.

Se houve momentos em que a Escola de Frankfurt nada tinha haver com Frankfurt encontrando se todos os seus representantes dispersos pelo mundo, temos agora o fenômeno contrario: agora estavam todos juntos e sua produção era realmente grande e sua difusão era enorme. A contribuição desses jovens autores gerou uma terceira geração de frankfurtianos que influenciaram a teorização critica na Alemanha, na França, na Itália, e nos Estados Unidos e no Brasil.

O conteúdo programático da teoria critica

Na primeira parte foi dada ênfase na dimensão histórica, aqui na segunda parte será trabalhado pela a autora as idéias e temas centrais que movimentaram o debate entre os teóricos de Frankfurt e seus críticos. A dialética da razão, a dupla face da cultura, a questão do Estado serão amplamente discutidos nessa parte do trabalho. O que caracteriza a sua atuação conjunta é a sua capacidade intelectual e critica, sua reflexão dialética, sua competência dialógica e seu questionamento radical de cada pressupostos de cada posição e teorização adotada.

A dialética da razão e a critica á ciência

A dialética descreve uma dialética da razão que em sua trajetória é conhecida como processo emancipatório que conduziria a autonomia e a auto-determinação. Os homens deveriam fazer uso dessas ferramentas. A razão que hoje se manifesta na ciência e na técnica é uma razão instrumental repressiva e assim seguem nas teorias de Kant e Hegel formando suas hipóteses e debatendo suas idéias. Pois o tema razão em seu movimento dialético não abandonou os frankfurtianos durante os cinqüenta anos de sua produção.

A dupla face da cultura e a discussão da indústria cultural

Provavelmente a teoria critica da Escola de Frankfurt tornou-se mais conhecida no mundo inteiro pela sua critica a cultura de massa de que pelos seus demais trabalhos em outros campos do saber, como a filosofia, a sociologia, a critica literária, a teoria do conhecimento e outros. O conceito de “indústria cultural” divulgado por Adorno e Horkheimer em A Dialética do Esclarecimento (1947) já faz parte integrante do conceito das ciências sociais e da comunicação onde tem encontrado ampla aplicação.

A cultura e a indústria cultural

Ao tratarem do tema da cultura os frankfurtianos lembram a velha distinção feita e ate hoje difundida na Alemanha, entre “cultura” e “civilização”, isto é entre mundo das idéias e dos sentimentos elevados de um lado, e mundo da reprodução material, do outro. A grande maioria da população estava excluída tanto do uso fruto do bem estar social quanto dos bens materiais, portanto também do bem estar do conforto individual, quanto ao acesso ao consumo de bens culturais como pinturas teatros exposições músicas e outras manifestações da cultura. Por isso Marcuse acredita que a obra de arte alienada de uma realidade material de exploração assume uma função alienante na medida em que faz com que os homens se ajustem as formas desumanas de organização da sociedade, remetendo para o futuro os seus desejos de felicidade e realização individual.

A questão do Estado e a dominação tecnocrata

O tema do Estado é desenvolvido pelos frankfurtianos em três momentos distintos, no primeiro a discussão do Estado faz parte de uma questão mais ampla, que procura conceituar as mudanças estruturais que ocorrem na base da economia capitalista desde de Marx. No segundo momento a questão do Estado e da dominação se confunde com a critica a razão instrumental. Especialmente quando essa procura abandonar o campo meramente teórico, buscando seu vinculo com a pratica, (política) e o terceiro, mas não menos importante, a questão do estado é levantado como tema autônomo, buscando se refletir os problemas de seu funcionamento e sua legitimação nas condições atuais do capitalismo tardio. Esses momentos estão ligados com os momentos históricos vividos pelos autores e pelo Instituto. O primeiro nos anos iniciais, o segundo na emigração para os Eua e o terceiro foi no auge da teorização mais precisa sobre as questões do Estado e de seus estudos nos anos de 1950.

A teoria critica depois de Horkheimer e Adorno

A atualidade da teoria critica se evidencia não pela sua capacidade de preservar uma “escola de pensamento” mas ao contrario pela sua capacidade de renovação reformulação e autocrítica. Mantendo unicamente seu compromisso com a critica. Apesar de perceber, denunciar, e criticar como os fundadores da teoria crítica as perversões produzidas pela racionalidade instrumental nas modernas sociedades industriais que provocam muitas vezes crises de integração social e sistêmica as chamadas “patologias da modernidade”.

O Estado

Na questão alemã a concepção de Estado tem sido discutida por diversos grupos de teóricos marxistas. A contribuição da teoria critica a analise do Estado se restringiu, no inicio dessa escola de pensamento. O tema só foi retomado depois da volta de Horkheimer e adorno a Frankfurt. As crises internacionais e internas ameaçam triturar este Estado fazendo com que ele próprio entre em crise. O Estado social das democracias passa por isso mesmo e tem dificuldades para retomar suas vias normais.

A recepção da teoria critica no Brasil

Já conhecido internacionalmente Marcuse como umas das principais fontes ideológicas das rebeliões estudantis européias e norte americano, Marcuse chegava ao Brasil num momento em que um amplo setor da intelectualidade da esquerda radicalizava sua posição contra uma ditadura que também radicalizava seus métodos repreensivos. Daí um contraponto de idéias e entendimentos de leituras rápidas fazem não entender o processo que já o adiantavam no Brasil, logo então uma divergência dentro da própria esquerda vai direcionar novos movimentos dentro do país. E marcuse fornecia elementos para uma contestação radical. (Coutinho, 1996, p. 102).

Coutinho e sua leitura afirmavam que Rouanet recorre a Escola de Frankfurt para combater os novos irracionalismos e os novos populismos em plena fase de ebulição, com o advento da Nova Republica. Esses movimentos culminaram numa seqüência de eventos que delimitaria, mas tarde a atuação dos partidos e de toda a organização de pensamentos dentro da esquerda do Brasil.

Logo vimos que no Brasil a teoria critica foi assimilada por duas vias a norte americano e a alemã. “O Brasil teria tudo a lucrar se procurasse aprofundar e adaptasse as condições locais essa segunda vertente, pois é a única verdadeiramente de origem dos frankfurtianos isso em cada um dos eixos temáticos que isolamos durante este trabalho”. No eixo da razão e da ciência, em que a teoria critica pode dissolver os equívocos que cercam o conceito de razão. No eixo da cultura em que a escola de Frankfurt fornece os instrumentos para critica a indústria cultural enquanto instrumento de alienação e submissão dos indivíduos. No eixo do Estado quanto a teoria critica pode ajudar no entendimento das esferas gerias e particulares deste Estado com tanta diversidade, pois nosso capitalismo esta exposta a racionalidade e legitimação e considerarmos nossa condição de pais capitalista periférico.

(Lucimar Simon)

domingo, 5 de maio de 2013

Texto: A EDUCAÇÃO NO / DO CAMPO E O CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS: NOVAS PERSPECTIVAS?

A EDUCAÇÃO NO / DO CAMPO E O CONTEXTO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS: NOVAS PERSPECTIVAS?

Texto base: Flávio Moreira


1-    O lugar do campo no projeto da modernidade - a condição de morto

“Fortalecer a luta pela educação do campo dentro dos sistemas de ensino é importante porque é na esfera da atuação do estado, do público, que temos que fortalecer nossa demanda” (KOLING, 2002, p 40).


v     Inclusão do homem do campo no contexto e no processo de modernidade.
Ø      A agricultura feudal era baseada na subsistência, isso dava sinais de queda.

v     Karl Marx (1818-1883) foi quem melhor sistematizou a inserção e desenvolvimento do capitalismo no campo.
Ø      Relações de posses entre os detentores das posses e quem não as tinham.
Ø      Por um lado acumulação de riquezas por outro a expropriação, isso marcou o desenvolvimento do capitalismo no campo.

v     Descaso com o campo em detrimento aos centros urbanos.
Ø      Os estereótipos vindo das cidades projetados sobre o homem do campo colocam-no sobre posição de réu condenado a extinguir –se.
Ø      Isso é compartilhado tanto por liberais quanto marxistas em prol de um progresso urbano como imagem única da nova época da existência humana.

v     Rússia Revolucionaria; “proletarização do camponês”.
Ø      No Brasil até hoje acontece esse conflito de idéias sobre o homem do campo.
Ø      O homem do meio rural resiste contra os “movimentos de modernização”.

v     O surgimento da questão agrária (1930-1945)
Ø      Reorganização do capitalismo mundial
Ø      Modelo fordista – keynesiano
Ø      Mercado auto-suficiente na produção de alimentos
Ø      Nova regulação de caráter urbano industrial

v     A questão como óbice do desenvolvimento (1945-1964/66)
Ø      Modelo fordista – keynesiano periférico
Ø      Substituição de importações
Ø      Ilhas de desenvolvimentos eixo Rio / São Paulo
Ø      A baixa produtividade e crises de abastecimento
Ø      Levava a ter o campo como empecilho ao desenvolvimento

v     A modernização autoritária (desde 1966)
Ø      Tentativa de extensão do modelo fordista - keynesiano ao campo
Ø      Complexos industriais e incentivos às monoculturas
Ø      No modelo varguista o homem do campo foi inserido como parte de forma imaginaria sendo ele responsável pela sustentação do modelo instalado.
Ø      O homem do campo como objeto da governabilidade
Ø      Imaginário social e a herança coronelista

2-    A institucionalização do ensino no meio rural

“Muitas são as demandas de mudanças, mudanças que muitas vezes dependem de uma reestruturação do sistema educacional como um todo, adaptações não são ideais”. Paulo Freire (2000, p.79),


v     O fortalecimento do campo ligado ao fortalecimento do capitalismo
Ø      Políticas modernizante no meio rural

v     Os projetos educacionais atrelados aos econômicos
Ø      As classes dominantes sempre negaram a educação ao homem do campo

v     Primeiras escolas no meio rural
Ø      Ampliação do mercado agrícola marca este processo

v     Nas décadas de 20 e 30 mudanças no meio rural
Ø      Processo de esvaziamento do campo
Ø      Processo de industrialização

v     Crise de 29. “Deslocamento de capital a outros setores”
Ø      Superprodução cafeeira baixa dos preços
Ø      Desvios de recursos e capitais para outros setores econômicos
Ø      A industrialização é a bola da vez

v     Nas décadas de 40 e 50
Ø      Diversidade de programas educativos e assistencialistas
Ø      Com isso visava desenvolvimento econômico ao campo
Ø      Programas educativos e assistenciais visando o desenvolvimento econômico

v     No processo desenvolvimentista a educação tinha por objetivo equacionar as disparidades regionais tirando o homem rural de seu embrutecimento
Ø      Desenvolvimento do dualismo educacional cidade – campo

v     A Constituição de 1988 afirma a educação como direito básico
Ø      Com isso não se elabora mais programa específico ao meio rural

v     A década de 90 conquista de direitos sociais para o homem MST e MPA
Ø      Trás a questão da educação rural para o centro do debate
Ø      As temáticas do campo numa perspectiva mais critica
3-    As propostas do grupo de trabalho “Educação do Campo”

“Se a reprodução da ideologia dominante implica, fundamentalmente, a ocultação de verdades, a distorção da razão de ser de fatos que, explicados, revelados ou desvelados trabalhariam contra os interesses dominantes, a tarefa das educadoras e dos educadores progressistas é desocultar verdades, jamais mentir. A desocultação não é de fato tarefa para os educadores a serviço do sistema” (FREIRE, 2001, p. 98).

v     Formação de professores
Ø     Planos de carreiras e salários
Ø     Funções diversas
Ø     Formação pedagógica específica

v     Currículos diferenciados
Ø      Negativa a visão urbanocêntrica
Ø      Negativa aos interesses classistas
Ø      Inserção de um currículo especial nas escolas mais afastadas
Ø      Garantia integral de participação de professores e envolvidos no processo

v     Gestão democrática
Ø      Participação das famílias e da sociedade organizada
Ø      Repasse dos recursos para a escola
Ø      Gestão compartilhada e democrática
Ø      Concurso e critérios específicos

v     Articulação política
Ø      Apoio aos movimentos organizados
Ø      Divulgação do valor das escolas do campo
Ø      Retomada das políticas educacionais para o campo

v     Infra-estrutura
Ø      Equipar as escolas para atender as necessidades básicas de ensino
Ø      Reformar as escolas do campo
Ø      Equipar as SREs com carros, matérias didáticos 

“Do ponto de vista, porém, dos interesses dominantes, é fundamental defender umas práticas educativas neutra, que se contente com o puro ensino, se é que isto existe, ou com a pura transmissão asséptica de conteúdos, como se fosse possível, por exemplo, falar da “inchação” dos centros urbanos brasileiros sem discutir a reforma agrária e a oposição a ela feita pelas forças retrógradas do país” (FREIRE, 2001 p.102).

(Lucimar Simon)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Texto: A ESCOLA DE FRANKFURT

A ESCOLA DE FRANKFURT

FREITAG, Bárbara. A Teoria Critica: ontem e hoje. 3. ed. – São Paulo: Brasiliense, 1990.

Seu discurso permeia alguns tópicos centrais da teoria critica de Horkheimer, Adorno, Marcuse, Benjamin, Habermas. Estando divididas em três partes principais, a primeira é “descritiva histórica” e outras duas mais teóricas voltadas para os conteúdos.

A segunda preocupa-se com os conteúdos daí esta centrada nessas temáticas.
1- A dialética da razão iluminista e a critica da ciência;
2- A dupla face da cultura e a discussão da industria cultural;
3- A questão do Estado e suas formas de legitimação;

A terceira parte procura situar a teoria critica do debate teórico contemporâneo onde serão focalizadas as formas de apropriação, rejeição e critica que a teoria da escola de Frankfurt esta tendo hoje na Europa, nos Eua e no Brasil.

“A tentativa é fazer uma avaliação da atuação e a importância dos pensamentos críticos dos Frank-furtiano para a reflexão teórica mais recente no campo das ciências humanas”.

O histórico da Escola de Frankfurt

“Escola de Frankfurt refere-se simultaneamente a um grupo de intelectuais e uma teoria social. Com o termo Escola de Frankfurt procura-se designar a institucionalização dos trabalhos de um grupo de intelectuais marxistas, não ortodoxos, que na década dos anos 20 permaneceram as margens de um marxismo-leninismo clássico, seja em sua versão teórico ideológica, seja em sua linha militante e partidária”.
Oficialmente criado em 3 de fevereiro de 1923. O primeiro diretor do instituto foi Carl Gruenberg, historiador e marxólogo de Viena que de fato só permaneceu no cargo de forma ativa até 1927 e simbolicamente até 1930, momento em que foi substituído por Max Horkheimer, jovem filosofo formado em Frankfurt, que assumiu a cátedra de filosofia social. Com a liderança de Horkheimer, o Instituto passou a assumir as feições de um verdadeiro centro de pesquisa, preocupado com uma analise crítica dos problemas do capitalismo moderno que privilegiava claramente a superestrutura.

O primeiro número da Revista de Pesquisa Social que era o principal meio de produção e divulgação dos autores filiados ao instituto foi lançado em 1932 e seu ultimo em 1941, completando nove anos de editoração. E ao lado da direção Horkheimer também era editor o que garantia a publicação todo o período de sua existência no instituto de Frankfurt e na emigração.

Preocupado com o anti-semitismo crescente na Alemanha e o progresso implacável do movimento nazista encabeçado por Hitler, Horkheimer teve a previsão de criar, de 1931, filiais do instituto em Genebra, Londres e Paris, transferindo a redação da Revista de Leipzig para Paris, onde permaneceria até a invasão alemã, depois que seus principais redatores já haviam emigrados a muitos para o Estados Unidos. Em 1933 o governo nazista decreta o fechamento do instituto em Frankfurt por suas “atividades hostis ao Estado”, confiscando seu prédio juntamente com os seus 60.000 volumes de livros que então constituem seu acervo bibliotecário.

A busca de uma integração da teoria marxista com o freudismo constitui a preocupação central deste estudo, em que o Horkheimer e Fromm lançam os fundamentos teóricos para a retomada da discussão iniciada pelo grupo Sex-pol e especialmente elaborada por Bernfeld, Fenichel e Reich nos anos 20. Horkheimer imaginava reorientar a reflexão filosófica da época, partindo de um patamar abstrato para um nível mais concreto que não se confundisse, no entanto, com puro ativismo da luta partidária. O interesse documentado de como a classe operaria enfrentavam ás crises especifica do capitalismo do século XX. O período de criação e consolidação do instituto de Frankfurt trás a marca inequívoca da filosofia social de Max Horkheimer, inspirado num Freud –marxismo de Reich e Fromm.   

O período da emigração para os Estados Unidos (1933-1950)

Em 1933 Horkheimer assegura a transferência do Instituto de Frankfurt para Genebra, onde ele passa a funcionar com nome de Société Internationale de Recherches Sociales. Em 1934 Horkheimer negocia a transferência do Instituto para Nova York. Ela se tornará possível graças ao apoio dado por Nicolas Murray, diretor da Universidade de Columbia em Nova York. Nesse período de emigração o Instituto concede mais de 50 bolsas de estudo e de pesquisas a intelectuais e judeus perseguidos pelo nazismo na Europa. Em 1940 Horkheimer e Adorno se transferem para a Califórnia onde se encontram com Thomas Mann, Bertholt Brecht e outros intelectuais alemães e judeus refugiados.

Em 1946 Horkheimer recebe o convite da municipalidade de Frankfurt para retornar a essa cidade com os membros do Instituto que quisessem acompanhá-lo. Em 1948 Horkheimer decide viajar para a Alemanha liberado do nazismo, mas derrotada e destruída a fim de negociar as condições de sua volto, sendo surpreendido por uma recepção calorosa que o leva a concordar com a transferência, que seria efetivada em 1950.

A produção do instituto dessa época da emigração para os Estados unidos se reflete, por um lado, por uma serie de artigos fundamentais publicados na revista, e que deram origem da criação “teoria critica” e, por outro, em duas obras que se transformariam em um marco para pesquisas sociológicas. Onde alemães e americanos juntos emplacaram as obras: The Authoritariam Personality (1950) e A Dialética do Esclarecimento (1947).

Os trabalhos da fase de emigração estão sob o impacto provocado sobre os intelectuais europeus pela cultura americana, expressão máxima do capitalismo moderno e da democracia de massa. Horkheimer procura salvar a reflexão filosófica dialética em face de uma crescente tendência positivista e empirista nas ciências sociais. Com seu ensaio “teoria critica e teoria tradicional” lança as bases e o fundamento da teoria critica da Escola de Frankfurt.

Em a The Authoritariam Personality (1950) os filósofos, psicólogos, psicanalistas e pesquisadores empíricos procuram refletir sobre a interação entre a dinâmica psíquica do individuo e as condições sociais e políticas da sociedade em que vivem estes indivíduos. Já na A Dialética do Esclarecimento (1947). Escrita na Califórnia reflete a atitude critica a qual Adorno e Horkheimer encaram a evolução da cultura nas modernas sociedades de massas da qual o Estados unidos seria a versão capitalista mais avançada. Ela representa a ruptura com a convicção mais profunda, a onipotência do sistema capitalista, retificado no mito da modernidade. Ela tem por temática em ultima instancia a morte da razão kantiana, asfixiada pelas relações de produção capitalista.

A reconstrução do Institut fuer Sozialforschung em Frankfurt (1950-1970)

O Instituto passa a funcionar novamente em sua velha sede na Senckenberganlage em Frankfurt ao lado dos prédios da Universidade a partir de 1950 Horkheimer e Adorno, são nomeados professores catedráticos do departamento de filosofia da Universidade Johann Wolgang Goethe, ministrando regularmente os seus cursos ate 1969, trabalhando simultaneamente em pesquisas. A biblioteca do Instituto havia sido renovada e os arquivos renovados depois dos desfalques sofridos durante o nazismo. Mas tarde o Instituto será alvo de protestos dos próprios estudantes devido a autoritariedade das regras internas. As medidas são tomadas e os ânimos se acalmam.

Se houve momentos em que a Escola de Frankfurt nada tinha haver com Frankfurt encontrando se todos os seus representantes dispersos pelo mundo, temos agora o fenômeno contrario: agora estavam todos juntos e sua produção era realmente grande e sua difusão era enorme. A contribuição desses jovens autores gerou uma terceira geração de frankfurtianos que influenciaram a teorização critica na Alemanha, na França, na Itália, e nos Estados Unidos e no Brasil.

O conteúdo programático da teoria critica

Na primeira parte foi dada ênfase na dimensão histórica, aqui na segunda parte será trabalhado pela a autora as idéias e temas centrais que movimentaram o debate entre os teóricos de Frankfurt e seus críticos. A dialética da razão, a dupla face da cultura, a questão do Estado serão amplamente discutidos nessa parte do trabalho. O que caracteriza a sua atuação conjunta é a sua capacidade intelectual e critica, sua reflexão dialética, sua competência dialógica e seu questionamento radical de cada pressupostos de cada posição e teorização adotada.

A dialética da razão e a critica á ciência

A dialética descreve uma dialética da razão que em sua trajetória é conhecida como processo emancipatório que conduziria a autonomia e a auto-determinação. Os homens deveriam fazer uso dessas ferramentas. A razão que hoje se manifesta na ciência e na técnica é uma razão instrumental repressiva e assim seguem nas teorias de Kant e Hegel formando suas hipóteses e debatendo suas idéias. Pois o tema razão em seu movimento dialético não abandonou os frankfurtianos durante os cinqüenta anos de sua produção.

A dupla face da cultura e a discussão da indústria cultural

Provavelmente a teoria critica da Escola de Frankfurt tornou-se mais conhecida no mundo inteiro pela sua critica a cultura de massa de que pelos seus demais trabalhos em outros campos do saber, como a filosofia, a sociologia, a critica literária, a teoria do conhecimento e outros. O conceito de “indústria cultural” divulgado por Adorno e Horkheimer em A Dialética do Esclarecimento (1947) já faz parte integrante do conceito das ciências sociais e da comunicação onde tem encontrado ampla aplicação.

A cultura e a indústria cultural

Ao tratarem do tema da cultura os frankfurtianos lembram a velha distinção feita e ate hoje difundida na Alemanha, entre “cultura” e “civilização”, isto é entre mundo das idéias e dos sentimentos elevados de um lado, e mundo da reprodução material, do outro. A grande maioria da população estava excluída tanto do uso fruto do bem estar social quanto dos bens materiais, portanto também do bem estar do conforto individual, quanto ao acesso ao consumo de bens culturais como pinturas teatros exposições músicas e outras manifestações da cultura. Por isso Marcuse acredita que a obra de arte alienada de uma realidade material de exploração assume uma função alienante na medida em que faz com que os homens se ajustem as formas desumanas de organização da sociedade, remetendo para o futuro os seus desejos de felicidade e realização individual.

A questão do Estado e a dominação tecnocrata

O tema do Estado é desenvolvido pelos frankfurtianos em três momentos distintos, no primeiro a discussão do Estado faz parte de uma questão mais ampla, que procura conceituar as mudanças estruturais que ocorrem na base da economia capitalista desde de Marx. No segundo momento a questão do Estado e da dominação se confunde com a critica a razão instrumental. Especialmente quando essa procura abandonar o campo meramente teórico, buscando seu vinculo com a pratica, (política) e o terceiro, mas não menos importante, a questão do estado é levantado como tema autônomo, buscando se refletir os problemas de seu funcionamento e sua legitimação nas condições atuais do capitalismo tardio. Esses momentos estão ligados com os momentos históricos vividos pelos autores e pelo Instituto. O primeiro nos anos iniciais, o segundo na emigração para os Eua e o terceiro foi no auge da teorização mais precisa sobre as questões do Estado e de seus estudos nos anos de 1950.

A teoria critica depois de Horkheimer e Adorno

A atualidade da teoria critica se evidencia não pela sua capacidade de preservar uma “escola de pensamento” mas ao contrario pela sua capacidade de renovação reformulação e autocrítica. Mantendo unicamente seu compromisso com a critica. Apesar de perceber, denunciar, e criticar como os fundadores da teoria crítica as perversões produzidas pela racionalidade instrumental nas modernas sociedades industriais que provocam muitas vezes crises de integração social e sistêmica as chamadas “patologias da modernidade”.

O Estado

Na questão alemã a concepção de Estado tem sido discutida por diversos grupos de teóricos marxistas. A contribuição da teoria critica a analise do Estado se restringiu, no inicio dessa escola de pensamento. O tema só foi retomado depois da volta de Horkheimer e adorno a Frankfurt. As crises internacionais e internas ameaçam triturar este Estado fazendo com que ele próprio entre em crise. O Estado social das democracias passa por isso mesmo e tem dificuldades para retomar suas vias normais.

A recepção da teoria critica no Brasil

Já conhecido internacionalmente Marcuse como umas das principais fontes ideológicas das rebeliões estudantis européias e norte americano, Marcuse chegava ao Brasil num momento em que um amplo setor da intelectualidade da esquerda radicalizava sua posição contra uma ditadura que também radicalizava seus métodos repreensivos. Daí um contraponto de idéias e entendimentos de leituras rápidas fazem não entender o processo que já o adiantavam no Brasil, logo então uma divergência dentro da própria esquerda vai direcionar novos movimentos dentro do país. E marcuse fornecia elementos para uma contestação radical. (Coutinho, 1996, p. 102).

Coutinho e sua leitura afirmavam que Rouanet recorre a Escola de Frankfurt para combater os novos irracionalismos e os novos populismos em plena fase de ebulição, com o advento da Nova Republica. Esses movimentos culminaram numa seqüência de eventos que delimitaria, mas tarde a atuação dos partidos e de toda a organização de pensamentos dentro da esquerda do Brasil.

Logo vimos que no Brasil a teoria critica foi assimilada por duas vias a norte americano e a alemã. “O Brasil teria tudo a lucrar se procurasse aprofundar e adaptasse as condições locais essa segunda vertente, pois é a única verdadeiramente de origem dos frankfurtianos isso em cada um dos eixos temáticos que isolamos durante este trabalho”. No eixo da razão e da ciência, em que a teoria critica pode dissolver os equívocos que cercam o conceito de razão. No eixo da cultura em que a escola de Frankfurt fornece os instrumentos para critica a indústria cultural enquanto instrumento de alienação e submissão dos indivíduos. No eixo do Estado quanto a teoria critica pode ajudar no entendimento das esferas gerias e particulares deste Estado com tanta diversidade, pois nosso capitalismo esta exposta a racionalidade e legitimação e considerarmos nossa condição de pais capitalista periférico.

(Lucimar Simon)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Texto: PABLO RUIZ PICASSO

PABLO RUIZ PICASSO

Málaga[1] (25 de Outubro de 1881). Mougins[2] (08 de abril de 1973) foi reconhecidamente um dos mestres da Arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versátil de todo mundo. Tendo criado milhares de trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas e cerâmica, usando, enfim, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como sendo o co-fundador do Cubismo, junto com Georges Braque.

Nasceu em Málaga (Andaluzia) e recebeu o nome completo de Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Maria de los Remedios Cipriano de la Santíssima Trinidad Ruiz y Picasso, filho de Maria Picasso y López e José Ruiz Blasco.

Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris. Foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Medindo 350 por 782 cm, esta tela pintada a óleo é normalmente tratada como representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães apoiando o ditador Francisco Franco. A pintura foi feita sem uso de cores, em preto e branco algo que demonstrava o sentimento de repúdio do artista ao bombardeio da pequena cidadezinha espanhola. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas, animais e edifícios destruídos pelo intenso bombardeio da força aérea alemã (Luftwaffe), já sob o controle de Hitler, aliado de Francisco Franco. Morando em Paris, o artista fã de Diogo soube dos fatos desumanos e brutais através dos jornais e daí supõe-se tenha saído a inspiração para a retratação monocromática do fato.

(Lucimar Simon)


[1] Málaga é uma cidade da Andaluzia, na Espanha. Capital da província homônima localiza-se na costa sul do país, no Mediterrâneo. A cidade originou-se da uma colônia grega na antiguidade clássica

[2] Mougins é uma comuna francesa na região administrativa da Alpes Marítimos